Depois das vanguardas da metade do século 20, a idéia de “material” muda de figura. Por exemplo, a arte contemporânea discute a questão da desmaterialização dos seus signos, isto é, cada vez mais se verifica uma recusa aos materiais e suportes consagrados pela tradição das “belas-artes”. O artista contemporâneo tem a sua disposição uma grande variedade de materiais e suportes. A madeira, o bronze, o mármore, a tinta, o barro, a tela tensa na moldura, etc., já não representam elementos inescapáveis da gramática artística. A estética do precário/efêmero, trouxe para a arte os “materiais da vida”, a dose necessária de anti-arte. Aqueles materiais “eleitos”, correspondem a um tipo de arte concebida para durar além das intempéries. Os materiais e suportes tradicionais exigem do artista seu caráter de artesão, o sujeito que extrai o máximo da matéria-prima. Hoje em dia, o lado artesão começa a perder fôlego. Na academia não se fala mais em “artes visuais”, mas, antes, em “poéticas visuais”. Com isso se privilegia o design de linguagem, a idéia-imagem projetada sobre jogos esquivos de sentido em detrimento da ação física sobre a matéria cujo objetivo era guindá-la aos estratos do sublime. O pintor Volpi dizia que na realização de seus quadros a execução era fácil, complicado era o engendramento da idéia. Mas idéia, aqui, não equivale à conteúdo, a arte seria, antes, uma estrutura, uma coesão-tensão de signos, uma “coisa mental”. (ronald augusto)